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 "O corpo não é um fardo ou uma ferramenta de fábrica, ele é o nosso primeiro território de libertação".

Silvia Federici

sobre o meu trabalho

Sou psicoterapeuta, atuo na clínica com a esquizoanálise em composição com a psicanálise. Também sou educadora somática e doutoranda em psicologia, na linha clínica e subjetividades, pela Universidade Federal Fluminense.  

Minha pesquisa nasce da inquietação em perceber o lugar subalterno ao qual o corpo tem sido relegado, correlata à suspeita de que isso possui certas relações com o regime patriarcal e seus modos de socialização impressos em nós. Seja no campo da política, da religião, da psicologia ou da psicanálise mais ortodoxa: toma-se a si de modo dicotômico, evocando o corpo como um mero apêndice mental, uma espécie de massa fisiológica, um palco da representação, ou ainda, uma periferia do centro de comando. 

É curioso pensar que o radical falo, tão utilizado pela psicanálise, também está na palavra encéfalo, sendo que o encéfalo é considerado pela ciência tradicional o grande centro de comando do corpo, responsável por controlar as suas funções, tal como um CEO de uma empresa.  Essa forma de enxergar a relação entre o centro de comando (inflado) e a periferia (submissa) é um bom exemplo para ilustrar a concepção dualista que separa mente e corpo, submetendo o corpo à mente.

A desconexão com o corpo na contemporaneidade não é um mero esquecimento anatômico. Trata-se de um projeto civilizatório de assepsia existencial.  A distopia que vivemos hoje é efeito dessa somatopolítica do capital, a qual obstrui o nosso acesso aos reais anseios do corpo, do desejo, inviabializando a nossa capacidade de agenciamento e de produção das condições efetivamente necessárias para um bem viver. 

 

Há uma dimensão ética na prática do bem viver, que se contrapõe frontalmente à monocultura capitalista e patriarcal, esmagadora das multiplicidades. Uma vida corporificada dentro do bem-viver é uma vida capaz de criar aquilo que é necessário e essa necessidade é, ao mesmo tempo, uma exigência da própria vida pedindo passagem.

Penso o corpo não como uma propriedade, mas como um processo coletivo de experimentação. Corpo não é algo que se tem, mas algo que se faz, enquanto um ato contínuo de dar forma à existência.  É dentro dessa ótica que me interessa fazer da clínica um campo de combate aos desprezadores do corpo, uma pequena guerrilha na luta pela afirmação do desejo e da imanência. 

"Não desonrar o que nos acontece, ser digno do acontecimento."

Gilles Deleuze

esquizoanálise e psicanálise

educação somática

workshops e cursos

"Cuidar de mim mesma não é autoindulgência, é preservação própria, e isso é um ato de guerra política."

Audre Lorde

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